Resumo expandido inscrito para os Espaços de Diálogos e Práticas (EDP's) do XX Encontro Nacional de Geógraf@s (Brasil-Periferia: A Geografia para resistir e a AGB para construir), área "Ensino de Geografia e Educação". Expectativa pelo aceite!
Crise,
Geografia, Educação e Revolução Permanente.
Diogo
Henrique Araujo de Oliveira
Instituto
de Educação Professor Ismael Coutinho
Palavras-chave: Geografia
e Educação; Revolução Permanente; Renovação Crítica.
Introdução
Momentos de profunda crise civilizatória, como a atual crise do capitalismo
global, detonam crise nas ciências, em especial nas ciências humanas, na
Geografia (MOREIRA, 2008). O avanço de uma onda reacionária/conservadora,
marcada por características como a anti-ciência e a prostração e dificuldades
de reação dos setores progressistas (DEMIER e HOEVELER, 2016), nos tensiona
pensar: a ciência geográfica está, novamente, em crise. Momentos de crise demandam
movimentos de renovação, entretanto. Foi assim no passado (PORTO-GONÇALVES,
1982), é necessário que seja assim no presente e futuro. Na Geografia, um
necessário novo movimento de renovação terá que lidar com os balanços da Renovação
Crítica anterior (FRANÇA FILHO, 2019). Enfrentamos a ascensão de forças políticas
ativas radicais, ultraneoliberais, de extrema-direita e neofascistas (DEMIER,
2019). Uma nova renovação crítica, progressista,
terá de aprofundar sua radicalidade política e filosófica (FAVERO, 2008), por
seu turno, o que nos conduz ao diálogo com vertentes ideo-políticas radicais.
Como a plural tendência marxista daqueles/as “à esquerda da esquerda”, os/as
trotskistas (BENSAÏD, 2008; LEAL, 2004). E sendo a educação e o ensino de
Geografia importantes exercícios do “ser geógrafo/a” (FRANÇA FILHO, 2019; AB’SABER,
2007;), o enfrentamento dos múltiplos desafios, ataques e retrocessos que se
abatem sobre a Educação na conjuntura atual é aspecto crucial na dinamização de
uma nova renovação crítica. Enveredando na área “Geografia e Educação”, é importante
o balanço da Renovação Crítica dos anos 1980 para ensejar uma nova renovação perante
a contemporânea convergência de crises. Por um lado, tal Renovação avançou em
diversas críticas do binômio Geografia-Educação: crítica ideológica, desnudando
as funções ideológicas da Geografia hegemônica; crítica da didática da
Geografia, do modelo descritivo e fragmentário; crítica dos conceitos e temas, incorporando
novo temário e teoria na compreensão e ação da/na realidade social; crítica da
separação entre “Geografia dos estados maiores” e “Geografia dos professores”, afirmando
a práxis educativa como exercício da ciência geográfica; crítica dos programas
oficiais e dos recursos didáticos da Geografia, ensejando disputas das
políticas educacionais, currículos e livros didáticos. Por outro lado, a
Renovação Crítica teve seus limites: o balanço crítico de como lidou com o
programa político que a animava; o pouco aprofundamento sobre concepções de
educação, escola e avaliação e o pouco diálogo com as teorias pedagógicas
progressistas; a questão dos sujeitos e articulações políticas; falhas nas
relações conceitos-conteúdos e nos avanços sobre a renovação dos recursos
didáticos, dos currículos e metodologias de ensino; e o campo aberto dos
objetivos do ensino de Geografia (AGB-NITERÓI, 2019; FRANÇA FILHO, 2019;
MOREIRA, 2014 e 2007).
Objetivo
Dos
marcos preliminares de análise e balanço, adiantados anteriormente, objetivamos,
com o presente trabalho:
1.
A partir da teoria
da Revolução Permanente e das discussões sobre a reestruturação do modo de vida,
do “marxismo de León Trotsky” (VILLELA, 2014; TROTSKY, 2011; BIANCHI, 2000), arriscar
a proposição de um programa político para uma nova renovação da Geografia
na/da/com a Educação, para o enfrentamento da crise sociopolítica do
capitalismo contemporâneo;
2.
Na mesma senda
teórica, englobando as teorias-práticas da Pedagogia Socialista e dos pioneiros
da educação revolucionária soviética (PISTRAK, 2015; FREITAS, 2009), desenvolver
propostas de concepção de educação, escola e revolução, buscando superar o
limite da Renovação Crítica dos anos 1980 sobre o aprofundamento das questões educacionais-pedagógicas.
Metodologia
Nosso
trabalho se alicerça em duas metodologias de pesquisa: 1) A revisão de
literatura acerca dos assuntos que se conectam ao trabalho, a partir da qual
buscamos sínteses teórico-programáticas; 2) O diálogo e participação ativa nos/com
os movimentos sociais de profissionais da educação e estudantes, a partir do que
a reflexão sobre o real se torna prática e transformação.
Resultados
Nas possibilidades deste trabalho, discutimos
que a crise do capitalismo atual põe a Geografia também em crise. Superações
radicais das crises tornam-se incontornáveis, mais que nunca. Assim, a teoria
da Revolução Permanente e a discussão marxista-construtivista sobre a revolução
do modo de vida apontam uma relocalização necessária para a ciência geográfica
e os geógrafos: a perspectiva do militantismo cultural (OLIVEIRA, 2017). Por
conseguinte, a luta por uma escola-comuna, da pedagogia socialista, é um
caminho (OLIVEIRA, EL-KADDOUM e PEÇANHA, 2020). A aliança entre movimentos
sociais da educação, a luta geral dos trabalhadores e a Geografia, uma perspectiva
estratégica (OLIVEIRA, 2019; PORTO-GONÇALVES, 2008). Renovemos os clamores: a
Geografia está em crise, viva a Geografia! Nós, os educadores, que amamos tanto
a revolução!
Referências
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