domingo, 1 de março de 2020

Crise, Geografia, Educação e Revolução Permanente


Resumo expandido inscrito para os Espaços de Diálogos e Práticas (EDP's) do XX Encontro Nacional de Geógraf@s (Brasil-Periferia: A Geografia para resistir e a AGB para construir), área "Ensino de Geografia e Educação". Expectativa pelo aceite!

Crise, Geografia, Educação e Revolução Permanente.

Diogo Henrique Araujo de Oliveira
Instituto de Educação Professor Ismael Coutinho

Palavras-chave: Geografia e Educação; Revolução Permanente; Renovação Crítica.

Introdução

            Momentos de profunda crise civilizatória, como a atual crise do capitalismo global, detonam crise nas ciências, em especial nas ciências humanas, na Geografia (MOREIRA, 2008). O avanço de uma onda reacionária/conservadora, marcada por características como a anti-ciência e a prostração e dificuldades de reação dos setores progressistas (DEMIER e HOEVELER, 2016), nos tensiona pensar: a ciência geográfica está, novamente, em crise. Momentos de crise demandam movimentos de renovação, entretanto. Foi assim no passado (PORTO-GONÇALVES, 1982), é necessário que seja assim no presente e futuro. Na Geografia, um necessário novo movimento de renovação terá que lidar com os balanços da Renovação Crítica anterior (FRANÇA FILHO, 2019). Enfrentamos a ascensão de forças políticas ativas radicais, ultraneoliberais, de extrema-direita e neofascistas (DEMIER, 2019).  Uma nova renovação crítica, progressista, terá de aprofundar sua radicalidade política e filosófica (FAVERO, 2008), por seu turno, o que nos conduz ao diálogo com vertentes ideo-políticas radicais. Como a plural tendência marxista daqueles/as “à esquerda da esquerda”, os/as trotskistas (BENSAÏD, 2008; LEAL, 2004). E sendo a educação e o ensino de Geografia importantes exercícios do “ser geógrafo/a” (FRANÇA FILHO, 2019; AB’SABER, 2007;), o enfrentamento dos múltiplos desafios, ataques e retrocessos que se abatem sobre a Educação na conjuntura atual é aspecto crucial na dinamização de uma nova renovação crítica. Enveredando na área “Geografia e Educação”, é importante o balanço da Renovação Crítica dos anos 1980 para ensejar uma nova renovação perante a contemporânea convergência de crises. Por um lado, tal Renovação avançou em diversas críticas do binômio Geografia-Educação: crítica ideológica, desnudando as funções ideológicas da Geografia hegemônica; crítica da didática da Geografia, do modelo descritivo e fragmentário; crítica dos conceitos e temas, incorporando novo temário e teoria na compreensão e ação da/na realidade social; crítica da separação entre “Geografia dos estados maiores” e “Geografia dos professores”, afirmando a práxis educativa como exercício da ciência geográfica; crítica dos programas oficiais e dos recursos didáticos da Geografia, ensejando disputas das políticas educacionais, currículos e livros didáticos. Por outro lado, a Renovação Crítica teve seus limites: o balanço crítico de como lidou com o programa político que a animava; o pouco aprofundamento sobre concepções de educação, escola e avaliação e o pouco diálogo com as teorias pedagógicas progressistas; a questão dos sujeitos e articulações políticas; falhas nas relações conceitos-conteúdos e nos avanços sobre a renovação dos recursos didáticos, dos currículos e metodologias de ensino; e o campo aberto dos objetivos do ensino de Geografia (AGB-NITERÓI, 2019; FRANÇA FILHO, 2019; MOREIRA, 2014 e 2007).

Objetivo

            Dos marcos preliminares de análise e balanço, adiantados anteriormente, objetivamos, com o presente trabalho:

1.       A partir da teoria da Revolução Permanente e das discussões sobre a reestruturação do modo de vida, do “marxismo de León Trotsky” (VILLELA, 2014; TROTSKY, 2011; BIANCHI, 2000), arriscar a proposição de um programa político para uma nova renovação da Geografia na/da/com a Educação, para o enfrentamento da crise sociopolítica do capitalismo contemporâneo;
2.       Na mesma senda teórica, englobando as teorias-práticas da Pedagogia Socialista e dos pioneiros da educação revolucionária soviética (PISTRAK, 2015; FREITAS, 2009), desenvolver propostas de concepção de educação, escola e revolução, buscando superar o limite da Renovação Crítica dos anos 1980 sobre o aprofundamento das questões educacionais-pedagógicas.

Metodologia

            Nosso trabalho se alicerça em duas metodologias de pesquisa: 1) A revisão de literatura acerca dos assuntos que se conectam ao trabalho, a partir da qual buscamos sínteses teórico-programáticas; 2) O diálogo e participação ativa nos/com os movimentos sociais de profissionais da educação e estudantes, a partir do que a reflexão sobre o real se torna prática e transformação.

Resultados

             Nas possibilidades deste trabalho, discutimos que a crise do capitalismo atual põe a Geografia também em crise. Superações radicais das crises tornam-se incontornáveis, mais que nunca. Assim, a teoria da Revolução Permanente e a discussão marxista-construtivista sobre a revolução do modo de vida apontam uma relocalização necessária para a ciência geográfica e os geógrafos: a perspectiva do militantismo cultural (OLIVEIRA, 2017). Por conseguinte, a luta por uma escola-comuna, da pedagogia socialista, é um caminho (OLIVEIRA, EL-KADDOUM e PEÇANHA, 2020). A aliança entre movimentos sociais da educação, a luta geral dos trabalhadores e a Geografia, uma perspectiva estratégica (OLIVEIRA, 2019; PORTO-GONÇALVES, 2008). Renovemos os clamores: a Geografia está em crise, viva a Geografia! Nós, os educadores, que amamos tanto a revolução!

Referências

AB’SABER, Aziz Nacib. O que é ser geógrafo. Rio de Janeiro: Record, 2007.
AGB-NITERÓI, Grupo de Trabalho de Ensino. A implantação da BNCC do Ensino Fundamental e a disputa pela Geografia no Ensino Médio: Balanço crítico e tarefas dos professores de Geografia. Julho de 2019. Apresentação de Power Point.
BENSAÏD, Daniel. Trotskismos. Lisboa: Combate, 2008. Disponível em: www.marxists.org/portugues/bensaid/2002/trotskismos/index.htm (Acessado em 29/02/2020).
BIANCHI, Álvaro. O primado da política: Revolução Permanente e transição. In. Outubro, v.5, n.5, p.101-115. São Paulo: IES, 2000.
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