terça-feira, 30 de abril de 2019

Para onde vão os CIEP's de Niterói? Rascunho 01

Niterói tem (ou teve) em seu espaço urbano 11 Centros Integrados de Educação Pública, os CIEP's, as escolas públicas de educação integral que fizeram história nos governos Brizola (1983-1986 e 1991-1994). O mapeamento dos CIEP's de Niterói segue abaixo:

CIEP's em Niterói (autoria própria).

O que era para ser uma rede (paralela?) hoje não existe mais. Não só em Niterói, porém, em nossa cidade, me atrevo a informar que o projeto dos CIEP's foi completamente desmantelado. A rede original em Niterói foi montada com as seguintes unidades: 1) CIEP 047 Governador Roberto Silveira, no Barreto; 2) CIEP 049 Anísio Teixeira, no Fonseca; 3) CIEP 060 Geraldo Achilles dos Reis, em São Domingos; 4) CIEP 251 Dona Maria Portugal, no Baldeador; 5) CIEP 307 Djanira, em Várzea das Moças; 6) CIEP 445 Jacy Pacheco, no Buraco do Boi; 7) CIEP 446 Esther Botelho Orestes, no Cantagalo; 8) CIEP 447 Antinéia Silveira Miranda, no Caramujo; 9) CIEP 448 Ruy Frazão, no Engenho do Mato; 10) CIEP 449 Governador Leonel de Moura Brizola, em Charitas; 10) CIEP 450 Emiliano Di Cavalcanti, no Badu.

Afirmo que a rede de CIEP's, o projeto original, foi desmantelada, e avanço em afirmar que uma possibilidade de uma rede-base para composição de um projeto de educação integral numa cidade educadora parece estar longe. Analisar o destino de cada um dos CIEP's de Niterói ajuda nestas afirmações. Vejamos um a um.

CIEP 047, no Barreto.
1) O CIEP 047 Governador Roberto Silveira há muitos anos não faz parte da Rede Estadual de ensino do Rio de Janeiro. A escola chegou a ser fechada brevemente, há alguns anos, e depois o prédio foi cedido para abrigar temporariamente a Unidade de Niterói da rede Colégio Pedro II, situação em que se encontra até hoje, perigando o prédio ser abandonado.

CIEP 049, no Fonseca, em obras.
2) O CIEP 049 Anísio Teixeira foi desativado pela SEEDUC em meados dos anos 2000, anos depois da escola ser completamente descaracterizada como projeto-CIEP. Permaneceu abandonado até 2018, quando o prédio foi municipalizado pela Prefeitura de Niterói após vários anos de movimentos populares e reivindicatórios no sentido de reabertura do CIEP (não, a municipalização não foi uma ideia iluminada do prefeito Rodrigo Neves). Porém, tanto o CIEP 049, quanto o CIEP 446, serão reinaugurados como os nebulosos projetos "Espaço Nova Geração". Toda pesquisa que fiz até o momento sobre o "Espaço Nova Geração" me permite afirmar, mesmo que provisoriamente, que embora se torne um espaço educacional, os CIEP's 049 e 446 não serão escolas, tampouco serão escolas de educação integral. Espaços educativos diversos são muito importantes, mas o debate sobre educação integral, inclusive do projeto original dos CIEP's, tem na centralidade da instituição escolar coordenando o processo educacional, através do projeto político-pedagógico, com atuação multidisciplinar de profissionais da educação, um dos seus pressupostos. Não sabemos até o momento, sequer, se os "Espaços Nova Geração" serão geridos pela Fundação Municipal de Educação.

CIEP 060 Geraldo Reis, em São Domingos.
3) O CIEP 060 Geraldo Achilles dos Reis deixou de ser parte da Rede Estadual de ensino em meados dos anos 2000, se tornando o Colégio Universitário da UFF, escola pública esta que se estrutura desde a Educação Infantil até o Ensino Médio. Assim como o CIEP 047 (este provisoriamente), o CIEP 060, ainda que continuem sendo escola, não faz mais parte de uma rede intencionalmente coordenada, outro pressuposto fundamental tanto do projeto original dos CIEP's, quanto das discussões mais consagradas sobre a Educação Integral.

CIEP 251 Dona Maria Portugal, no Baldeador.
4) O CIEP 251 Dona Maria Portugal continua fazendo parte da Rede Estadual de ensino. Porém, a unidade sofre constantes ameaças de fechamento. E a unidade, como CIEP como projeto, foi completamente descaracterizada, assim como todo o projeto e rede dos CIEP's no estado. Nada do projeto original de educação integral permanece: a jornada escolar em tempo integral (a unidade, inclusive, só tem um turno, o matutino), a centralidade da cultura no projeto político-pedagógico, a figura do animador cultural, a centralidade curricular do letramento (como leitura de mundo), a Educação de Jovens e Adultos, a articulação assistencial e espacial com a saúde, a centralidade da biblioteca escolar e comunitária, a importância da nutrição e da educação nutricional, a importância curricular e comunitária dos esportes, o projeto dos alunos residentes.

5) O CIEP 307 Djanira também continua fazendo parte da Rede Estadual de ensino, porém, em condições semelhantes aos CIEP's 251, 448, 449 e 450. Como projeto de educação integral originário, foi completamente descaracterizado. E tem sofrido um esvaziamento (pequeno número de turmas / alunos) perante o potencial humano pressuposto. Recentemente, a unidade foi integrada ao Projeto de Educação Integral dos governos Cabral e Pezão, como subprojeto de Ensino Fundamental Tempo Integral, porém, desde 2017, o projeto tem sofrido forte desmonte.

CIEP 445, hoje UMEI Jacy Pacheco, no Buraco do Boi.
6) O CIEP 445 Jacy Pacheco foi fechado durante vários anos. Em 2013 foi municipalizado, e em 2014 reinaugurado como Unidade Municipal de Educação Infantil da Rede Municipal de Niterói. Ainda que haja turmas de ensino fundamental, a escola nada tem a ver com o projeto originário dos CIEP's, em vários sentidos.

7) O CIEP 446 Antinéia Silveira Miranda sofreu um processo de fechamento paulatino ao longo dos anos 2000, pela SEEDUC, até ser fechado em 2012-2013. Porém, entre 2013-2014 foi municipalizado e transformado em Escola Municipal de Ensino Fundamental de 3° e 4° ciclos, com funcionamento semi-integral. Ainda que como escola, o que é importante, a unidade também se distanciou do projeto originário de educação integral.

CIEP 447, no Cantagalo, em obras.
8) O CIEP 447 Esther Botelho Orestes não faz mais parte da Rede Estadual de ensino do Rio de Janeiro, tendo passado por processo histórico de desmonte e mudança igual ao CIEP 049 Anísio Teixeira. Em breve o CIEP se tornará "Espaço Nova Geração".

9) O CIEP 448 Ruy Frazão também continua fazendo parte da Rede Estadual de ensino, porém em condições semelhantes a outros CIEP's, como já relatei: como projeto de educação integral originário, foi completamente descaracterizado. Também tem sofrido com esvaziamento de turmas e alunos, inclusive tendo seu turno parcial vespertino encerrado.

CIEP 449, em Charitas, o "Brasil-França".
10) O CIEP 449 Governador Leonel de Moura Brizola continua fazendo parte da Rede Estadual, porém também se distanciou muito do que fora o projeto de educação integral dos CIEP's. A unidade foi fechada durante alguns anos, serviu como anexo de uma escola municipal, e recentemente se tornou parte do Projeto de Educação Integral, conhecido como Dupla Escola, dos governos Cabral e Pezão. A escola hoje é de ensino médio de tempo integral, intercultural, bilíngue português-francês, e com ênfase formativa na área de ciências da natureza.

11) O CIEP 450 Emiliano Di Cavalcanti continua sendo parte da Rede Estadual, porém nas duras condições semelhantes ao CIEP 251, por exemplo.

Assim como podemos nos perguntar em relação a todo o estado e país: Para onde vão os CIEP's de Niterói? Para onde vai o debate e o sonho da Educação Integral?

segunda-feira, 29 de abril de 2019

Caos (2): Rascunho de um mapa geográfico da Educação de Niterói, região central ampliada.

Rascunho (1) de um mapeamento da Educação de Niterói.

Cartografia geográfica? Iniciei a construção de um mapa geográfico da Educação de Niterói, uma forma de concretizar e analisar a complexidade geohistórica da educação (redes?) e das escolas (lugares?), no caso focando na Educação Pública em Niterói, cidade do Rio de Janeiro, Brasil. Um exercício de espacialidade diferencial, talvez. O mapa está em construção, por hora registra vários tipos de Unidades da Educação Pública (nós?) na região central (um pouco ampliada) de Niterói.

Mapa 01. Uma camada de espacialização da Educação Pública de Niterói, região central ampliada.
Seleção livre a partir de PrintScreen.

São seis (6) tipos de Unidades da Educação Pública: 1) Escolas da Rede Estadual de ensino do Rio de Janeiro, localizadas em Niterói (localizações em laranja escuro); 2) Escolas de Ensino Fundamental da Rede Municipal de Niterói (localizações em verde claro); 3) Unidades Municipais de Educação Infantil (UMEI's) da Rede Municipal de Niterói; 4) Telecentros da Rede Municipal de Niterói (localizações em laranja claro); 5) Bibliotecas Populares Municipais da Rede Municipal de Niterói (localizações em preto); 6) Unidades gestoras (é a melhor nomenclatura?) da Fundação Municipal de Educação / Secretaria Municipal de Educação, Ciência e Tecnologia de Niterói.

São trinta e cinco (35) localizações somente na região central ampliada de Niterói. Temos que refletir sobre a densidade sócio-histórico-geográfico-educacional-escolar (registro 01). A lista segue mais abaixo. Cada localização, lugar, está inserido e se insere (ida-e-vinda, dialética das determinações - registro 02) em diversas redes (distribuição de localizações e processos sócio-histórico-geográficos), em diversas escalas (vetores?), elenquemos (exercício - registro 03): Ensino Médio, Ensino Fundamental, Rede Estadual de ensino, Rede Municipal de ensino de Niterói, Educação de Jovens e Adultos (01-presencial, 02-semipresencial), Educação Especial (01 - escola especial, 02 - perspectiva inclusiva), Bibliotecas Populares, Telecentros, Grupo Técnico-Científico (profissionais da educação 01), comunidades, favelas, profissionais da educação nas escolas (profissionais da educação 02), Educação Infantil, Grupo de Apoio Especializado (profissionais da educação 03), gestores, políticos, propostas pedagógicas, práticas pedagógicas, projetos instituíntes, Educação Ambiental, Educação Integral (este exercício já verifica 28 vetores (?) de processos históricos, geográficos, sociais, políticos, educacionais, escolares).

Rascunho (2) das localizações educacional-escolares no mapeamento 01.

Rede Estadual (em Niterói):
1- Liceu Nilo Peçanha
2- CE Pinto Lima
3- CEJA Niterói
4- EEEE Anne Sullivan (Escola Estadual de Educação Especial)
5- CE Raul Vidal
6- Instituto de Educação Prof. Ismael Coutinho
7- CE José Bonifácio
8- CE Brigadeiro Castrioto
9- CE Aurelino Leal
10- CE Zuleika Raposo Valladares

Rede Municipal de Niterói - Escolas de Ensino Fundamental:
11- EM Alberto Torres
12- EM Santos Dumont
13- EM Anísio Teixeira
14- EM Nossa Senhora da Penha
15- EM Ayrton Senna
16- EM Maestro Heitor Villa-Lobos

Rede Municipal de Niterói - UMEI's:
17- UMEI Alberto de Oliveira
18- UMEI Rosalda Paim
19- UMEI Nilo Neves
20- UMEI Julieta Botelho
21- UMEI Maria José Mansur
22- UMEI Denise Mendes Cardia
23- UMEI Portugal Pequeno
24- UMEI Maria Vitória Ayres Neves
25- UMEI Antonio Vieira da Rocha
26- UMEI Írio Molinari

Rede Municipal de Niterói - Bibliotecas Populares Municipais:
27- Biblioteca Popular Municipal Silvestre Mônaco
28- Biblioteca Popular Municipal Cora Coralina

Rede Municipal de Niterói - Telecentros:
29- Telecentro Morro do Estado
30- Telecentro da CLIN
31- Telecentro Macquinho
32- Telecentro Terminal João Goulart

Rede Municipal de Niterói - Unidades Gestoras:
33- Fundação Municipal de Educação
34- SEMECT (Casa Amarela)
35- Espaço 300

Rascunho (3) de referências teóricas.

O espaço seria heterogeneidade convertida em homogeneidade, diferença convertida em unidade, diversidade convertida em padrão. O espaço é ontologicamente tenso e contraditório, toda unidade espacial, em múltiplas escalas, é um quadro de tensão. Nas sociedades modernas, atuais, capitalistas, a tensão espacial é maior. "A diversidade é padronizada na uniformidade espacial imposta pela técnica e pela intenção da hegemonia" (MOREIRA, 1997, p.11) da classe dominante no capitalismo atual. Mapear o mundo é exprimir em representação do(s) espaço(s) esta realidade tensa. São diversas tensões: "A reação da diversidade das culturas contra a uniformidade técnica planetarizada; da biodiversidade ecossistêmica contra a desarrumação ambiental do planeta; da homodiversidade contra a supressão da unidade do Estado na forma explosiva dos separatismos; do multiculturalismo contra a uniformização técnica dos modos de vida; dos excluídos contra a seletividade da inclusão" (p.11). Falar do espaço é falar da unidade tensa do par diversidade-padrão, relembrando alguns autores clássicos da Geografia: geografia como estudo da terra como mundo diferenciado dos seres humanos (Alfred Hettner); como estudo do movimento dos cheios e vazios (Jean Brunhes); como estudo do mundo como complexidade (Max Sorre); como estudo do lugar como a oportunidade de libertação dos excluídos (Milton Santos).

Cartografia geográfica: "(...) uma cartografia que tome a Geografia como ciência da reflexão da forma de coabitação social que se deseja para homens plurais. Como o olhar que ajude a compreender as relações sociais, econômicas, culturais e de poder político das nossas sociedades em termos espaciais da coabitação da diferença como forma de vida, de modo a contribuir que em cada canto a arrumação e unicidade do espaço seja mais humana e mais justa. Um olhar que fale da diferença, e não apenas da unidade como padrão" (p.11).

Referências:

MOREIRA, Ruy. Da região à rede e ao lugar: A nova realidade e o novo olhar sobre o mundo. In. Revista Ciência Geográfica, v. III, n.6, p.01-11. São Paulo: AGB-Bauru, 1997.

domingo, 28 de abril de 2019

Caos (1): Anotações de estudo sobre educação, escola, geografia e lutas sociais entre hegemonias e emancipações.

Havia chegado a uma terra de fragmentos,
perdida, um lugar de coisas para as quais
não havia palavras e também um lugar
de palavras que não correspondiam a coisa nenhuma
Paul Aster, Cidade de Vidro.

Cidade Fractal: Favelas do Rio de Janeiro.
A escola e a educação são convergências / divergências, encontros / desencontros, horizontalidades / verticalidades participantes do caos das sociedades urbanas capitalistas atuais. A escola é o lugar, também os nós (referentes a nodosidade), e a educação é o processo, o objeto, o objetivo e ao mesmo tempo a rede que estrutura espaços em espaços maiores. São múltiplos problemas (com certeza não elencaremos todos): condições humanas e individuais, a ver inclusive com o trabalho, d@s profissionais da educação, d@s estudantes e dos grupos humanos das comunidades escolares; estrutura (infraestrutura) das unidades escolares; propostas pedagógicas, currículos, didáticas, organização do trabalho pedagógica, escritos e inscritos (aqueles efetivamente realizados); políticas, programas e ações dos governos / governantes; a complexidade da(s) sociedade(s) humana(s) em que vivemos ontem e hoje. São múltiplas dimensões que compõem, ou deveriam compor, a escola e a educação (olharemos as escalas do Brasil, Rio de Janeiro e Niterói): Educação Infantil, Ensino Fundamental, Ensino Médio; Educação de Jovens e Adultos; Educação Especial na perspectiva da educação inclusiva; Ensino Médio Integrado; Educação Integral e omnilateralidade; Politecnia; Educação do Campo; Educação Escolar Quilombola; Educação Escolar Indígena; Educação em espaços de privação de liberdade e sócio-educação; Educação Escolar de Crianças, Adolescentes e Jovens em situação de itinerância; Educação das relações étnico-raciais e antirracismo; Educação das questões de gênero, anti-machismo e anti-LGBTfobia; Educação Ambiental; Educação em Direitos Humanos; Educação, Comunicações e Novas Tecnologias Informáticas.

Convergência de crises?
Impossível, para nós, não pensar a partir de um olhar histórico-geográfico, ou geohistórico. Há uma convergência de crises: a crise estrutural do capital; o neoliberalismo, os choques econômicos e os ajustes estruturais do capital-globalização; a precarização da vida e do trabalho e as crises urbanas e ambientais; a longa (des)estruturação da escola e da educação pública, uma crise histórica e as recentes reformas empresariais; há a (con)formação do precariado educacional, proletarização e precarização da vida e do trabalho d@s profissionais da educação pública e a multiplicação d@s precári@s; há os (des)caminhos dos sujeitos coletivos, foco no sindicalismo d@s profissionais da educação, em amplos sentidos; há os movimentos de luta de classes, espaços e contraespaços, espaços do capital e espaços de esperança, hegemonias e emancipações, distopias e utopias.

Cidade Fractal: Favela,
Impossível, para nós, não pensar a partir dos contatos entre o método marxista, da economia política, com a complexidade, teoria do caos, fractais e a uma visão geohistórica, espacial-temporal. O espaço é o corpo do tempo, pensamos. Vivemos em sociedades nacionais e urbanas, numa des-ordem mundializada. A cidade, planetarizada, é nó de irradiação e arrumação dos movimentos de des-re-territorializações do Estado-nação, é a cabeça geográfica dos processos, incluindo os quadros de aparelhos políticos dos governos, expressando também forte caráter de classe. A escola, na cidade, cuida da consolidação política: "Espalhadas pelas cidades do território nacional formado, as unidades escolares levam a população a culturalmente se unificar através de um mesmo padrão de leitura, de cálculo e de escrita, cristalizando simbólica e materialmente na mentalização de um só sentimento unitário de espaço e tempo" (MOREIRA, 2016, p.14-15). Porém, há contradições e fragmentações nas unidades, é caótico o processo. A educação é a rede das escolas, rede é como se arruma atualmente a vida social humana planetariamente, a rede hegemoniza a ordem espacial em relação às regiões. As redes na globalização capitalista rompem fronteiras, embaralham territorialidades, des-re-territorializam, e um exemplo das redes é justamente a educação-escola. O mundo da globalização capitalista possui forte densidade social, é composto por um tecido espacial diferenciado e unificado planetariamente, caótico, mudando constantemente os conteúdos dos lugares, mudando constantemente as contiguidades (horizontalidades) e os processos de reticulações (verticalidades) que compõem os lugares, (re)criando hierarquias de inclusão-exclusão, mundialização e localização, inserção ou não inserção em redes de produção de cultura/poder, produção/poder. As escolas são os lugares, espaços das sínteses caóticas, assim como as cidades das quais fazem parte. O lugar é fragmentário na globalização atual, o lugar é mundializado, lugares incluem lugares outros.

Cidade Fractal: decadência.
Importante pensar sobre as práticas espaciais para pensar geohistoricamente os problemas da escola, da educação, da cidade, das lutas sociais da educação. A construção geográfica das sociedades humanas é resultado das práticas espaciais. Há três fases do processo de construção geográfica: 1) Montagem; 2) Desenvolvimento; 3) Desdobramento. Cada fase com suas práticas. 1) Montagem: 1.1. Seletividade; 2) Desenvolvimento: 2.1. Tecnificação; 2.2. Diversidade; 2.3. Unidade; 2.4. Tensão: contradição alteridade-centralidade; contradição unidade-diversidade; contradição homogenia-heterogenia; contradição identidade-diferença; 2.5. Hegemonia e coabitação; 2.6. Recortamento e território; 2.7. Escala; 2.8. Regulação e reprodutibilidade; 3) Desdobramento: 3.1. Mobilidade; 3.2. Compressão; 3.3. Urbanização; 3.4. Fluidificação; 3.5. Hibridismo; 3.6. Sociodensificação; 3.7. Reestruturação. Impossível não pensar o espaço, o lugar, as redes, seus processos e interconexões, estruturações complexas, e a cidade, a educação e a escola, as lutas sociais da educação inclusive, a partir das reflexões sobre o espaço. Espaços vetoriais, topológicos, fractais. As imagens falam geohistoricamente:

Ilustração artística de um espaço vetorial.

A base vetorial que gera um espaço tridimensional é formada por três vetores que são unidades básicas e linearmente independentes entre si.

(...) um grafo, onde os vértices são as diferentes partes do espaço de Hilbert, e as bordas são ponderadas pela distância emergente entre eles.

Para pensar: Conexões, processos, caminhos, histórias, estruturas, relações.

Paisagem de um espaço-estado topológico.

Para pensar: convergência, conexidade e continuidade.

A estrutura de nossas cidades é uma representação de um modelo fractal.

A cidade incerta, 2010, acrílico sobre a tela. Nadir Afonso. Período Fractal.

Artista cria cidade de civilização avançada a partir de fractais.

E nós não fazemos nada, nada, nada
Nada além
Além do mito
Que limita o infinito
Sobre a política e a luta social da educação. Fazer política passou a ser a construção de um grande arco de alianças ao redor da entrada em rede a partir dos lugares. Lutas sociais ensaiam mudanças concretas ou potências de mudanças. Movimentos de contraespaço, espaços de esperança, reais ou projetados. E o projeto é tão importante quanto a realidade, por ser um via-a-ser. Vejamos a multiescalaridade inerente às mudanças: uma escola, redes de educação, sindicato. É preciso pensar a partir do poder dos lugares e das redes. Sobre o poder do lugar, anotações: pela horizontalidade, o lugar aglutina em regiões os elementos contíguos; pela verticalidade, o lugar insere as contiguidades no fluxo de informações das redes globais, hegemônicas ou, no caso, não-hegemônicas; a acessibilidade às informações é o dado integrador ou excluidor de homens e mulheres nas redes dos espaços / contraespaços, estes homens e mulheres habitem ou não a mesma proximidade.


Referências:

BARBOSA, Jorge Luiz. O caos como imago urbis: Um ensaio crítico a respeito de uma fábula hiperreal. In. Geographia, v. I, p.56-69. Niterói: PPGEO-UFF, 1999.
BRASIL, Ministério da Educação. Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais da Educação Básica: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica, Diretoria de Currículos e Educação Integral. Brasília: MEC, SEB, DICEI, 2013. 562 páginas.
BRÜSEKE, Franz Josef. Caos e ordem na teoria sociológica. Disponível em: http://www.anpocs.org.br/portal/publicacoes/rbcs_00_22/rbcs22_07.htm (Acessado em 28/04/2019).
DAVIS, Mike. Planeta Favela. São Paulo: Boitempo, 2006 (1a edição).
DAVIS, Mike. Cidade de Quartzo: Escavando o futuro de Los Angeles. São Paulo: Boitempo, 2009 (1a edição).
GIAVONI, Adriana e TAMAYO, Álvaro. Análise espacial: Conceito, método e aplicabilidade. In. Psicologia: Reflexões e Crítica, 16(2), pp.303-307. 2003.
HARVEY, David. Espaços de Esperança. São Paulo: Edições Loyola, 2006 (2a edição).
MARQUES, Mara Lúcia e FERREIRA, Marcos César. Aplicação da dimensão fractal para o estudo da morfologia urbana da região metropolitana de São Paulo (mimeo).
MOREIRA, Ruy. A formação espacial. In. A Geografia do espaço-mundo: Conflitos e superações no espaço do capital, p.13-20. Rio de Janeiro: Consequência, 2016.
MOREIRA, Ruy. Teses para uma Geografia do Trabalho. In. A Geografia do espaço-mundo: Conflitos e superações no espaço do capital, p.13-20. Rio de Janeiro: Consequência, 2016.
MOREIRA, Ruy. As categorias espaciais da construção geográfica das sociedades. In. Pensar e Ser em Geografia, p.81-104. Rio de Janeiro: Contexto, 2007.
MOREIRA, Ruy. O tempo e a a forma: a sociedade e suas formas de espaço no tempo. In. Revista Ciência Geográfica, v. IV, n.9, p.04-10. São Paulo: AGB-Bauru, 1998.
MOREIRA, Ruy. Da região à rede e ao lugar: A nova realidade e o novo olhar sobre o mundo. In. Revista Ciência Geográfica, v. III, n.6, p.01-11. São Paulo: AGB-Bauru, 1997.
PAIVA, Angela Randolpho e BURGOS, Marcelo Baumann (orgs.). A escola e a favela. Rio de Janeiro: Pallas Editora e Editora PUC-Rio, 2009.

sexta-feira, 26 de abril de 2019

Pensar e Ser

Meu nome é Diogo de Oliveira. Professor de Geografia do Instituto de Educação Professor Ismael Coutinho (IEPIC) e do Colégio Estadual Joaquim Távora, da Rede Estadual de Ensino do Rio de Janeiro, em Niterói. Licenciado em Geografia pela UFF. Mestre em Educação pela UFF. Fui por seis anos parte da Direção Colegiada do SEPE-Niterói (2012-2015 e 2015-2018) e por quatro anos da Direção Colegiada do SEPE/RJ (2014-2015 e 2015-2018). Continuo atuando nas lutas do SEPE, a partir da base, como profissional da educação e representante de base. Construo também, coletivamente, minha militância na Ocupação Sindical e na Resistência / PSOL-Niterói. Sou muito feliz com minha companheira Andréa Peçanha, auxiliar de portaria na Rede Municipal de Niterói, estudante de Letras da FFP-UERJ e também ex-dirigente do SEPE-Niterói entre 2012 e 2018. Somos o que somos com nossos amores, coletivos, práticas, acertos e erros.

Minha dissertação de mestrado, disponível em link mais abaixo, intitulou-se "O Programa de Educação Integral do Estado do Rio de Janeiro (PROEIRJ), a greve dos educadores e as ocupações estudantis das escolas públicas - Hegemonia e emancipação na formação da classe trabalhadora". Me interesso por diversos debates e lutas reivindicatórias da educação pública, sindicalismo dos profissionais da educação, memória e práticas político-pedagógicas do SEPE/RJ e SEPE-Niterói, geografia, espaços, contraespaços, lutas sociais, resistências e espaços de esperança, construção coletiva de resistências e reinvenções políticas.

Mestrado: https://sucupira.capes.gov.br/sucupira/public/consultas/coleta/trabalhoConclusao/viewTrabalhoConclusao.jsf?popup=true&id_trabalho=5074151

Ah, e arte e poesia, claro.