Possibilidades de espaços de esperança em múltiplas escalas: Escola, ocupações, sindicatos. Uma agenda de pesquisa e primeiras aproximações (trabalho enviado ao IX Encontro Nacional de Ensino de Geografia, Fala Professor(a)! Resistências, saberes, poderes: A prática do(a) professor(a) à margem).
Resumo: Este trabalho
pretende apresentar levantamentos preliminares que compõem uma agenda de
pesquisas e estudos sobre as possibilidades ou potencialidades de construção de
espaços de esperança em movimentos de contraespaço que reinventem os contextos
espaço-educacionais atualmente existentes. A educação e as escolas públicas são
espaços/redes/lugares de conflito social entre diversos sujeitos. Os conflitos
aqui são percebidos em conotação diversa, não apenas negativista: pressupõe
lutas sociais, epistêmicas, políticas que comportam outros futuros possíveis
inscritos concretamente ou em potência nos espaços hegemônicos. Os possíveis
espaços de esperança, argumentamos, podem ser percebidos e construídos em
múltiplas escalas, compondo movimentos de contraespaço em perspectiva da
espacialidade diferencial, da contra-hegemonia e da emancipação, sendo algumas
destas escalas aqui levantadas: a escola em seu cotidiano; as ocupações
estudantis de escolas públicas; as greves, manifestações, espaços de discussão
e elaboração coletiva e os sindicatos dos profissionais da educação. Estes
espaços de esperança podem ser aqueles já existentes, ou que existem ou
existiram em potencial, aqueles sistematizados ou não, aqueles interligados
coerentemente ou não. Os referenciais teóricos iniciais da mencionada agenda de
pesquisa são: uma concepção aberta de marxismo; aportes do campo da Geografia
Crítica e da área da Educação. E as abordagens metodológicas a serem
experenciadas seriam: expedições geográficas; cartografia social; e
reconstruções históricas e(m) lugares de memória.
Palavras-Chave: Espaços de
esperança em educação; Conflito, contraespaço e educação;
Introdução
Diante do neoliberalismo e do
conservadorismo, uma educação crítica é possível? Esta questão move a agenda de
pesquisas e estudos que este trabalho visa apresentar, em linhas gerais e com
alguns levantamentos preliminares. O último período histórico no Brasil tem
sido marcado pela ampliação da crise da educação pública, um conjunto de
precarizações e mazelas: desvalorização das vidas, dos trabalhos, dos salários,
das carreiras e adoecimento dos profissionais da educação (CARVALHO e ARAÚJO,
2009; COSTA, NETO e SOUZA, 2007; GASPARINI, BARRETO e ASSUNÇÃO, 2006; BRITO et
al, 2001); radicalizações da dualidade estrutural da educação pública (LIBÂNEO,
2012); avanço e aprofundamento do controle alienante do trabalho educacional e
do controle e repressão ideológicos (FRIGOTTO, 2017; MACEDO e LAMOSA, 2015);
inviabilizações dos encontros entre os educadores nas suas redes e nas suas
escolas, fragmentando e liquidificando ainda mais projetos pedagógicos
contra-hegemônicos; crescimento alarmante da ocorrência de diversos tipos de
violência que impactam as escolas e seus sujeitos (ASSIS, CONSTANTINO e AVANCI,
2010; ARCARY, 2005); sucateamento das infraestruturas das redes e escolas;
dentre outras. É crescente a desesperança entre os profissionais da educação.
Porém, todo processo de exploração de classe e opressão humana traz, cedo ou
tarde, entre os sujeitos e nos seus espaços, o questionamento e o conflito: “A
história de toda sociedade até aqui é a história da luta de classes” (MARX e
ENGELS, 2019). É o que podemos chamar, a partir da concepção aberta de marxismo
do campo conhecido como trotskismo (BENSAID, 2007a), do primado da luta de
classes (BIANCHI, 2000). Daniel Bensaid arremata:
“Não se poderia
rechaçar mais firmemente toda ilusão retrospectiva sobre o sentido de uma
história cujo desenvolvimento conspiraria para o coroamento de um presente
inelutável e, em consequência, legítimo. (...) A necessidade desenha o
horizonte da luta. Sua contingência costura os decretos do destino (BENSAID,
2007b).
Daí deriva que as redes educacionais e
escolas públicas são espaços/redes/lugares de contradição social, tensão,
conflito, entre as hegemonias da classe dominante, e suas determinações, e as
práticas cotidianas e lutas, diversas, de contra-hegemonia dos subalternos, e
suas construções. Assim, as contradições, tensões e conflitos produzem um
mutante mapa de imbricações entre os componentes do espaço do capital e os
espaços de esperança construídos em movimentos diversos de contraespaço. É na
produção de espaços de esperança, a partir de lugares e processos
multiescalares, numa geografia diferencial dos contraespaços, que podemos
responder afirmativamente que uma educação crítica é possível.
Digressões
teórico-metodológicas
O
espaço é o corpo do tempo (MOREIRA, 1994), a distinção dos tempos históricos se
dá pela forma do espaço, formando-se grandes quadros espaço-temporais
constituintes das formações geográficas humanas, que incorporam a evolução
estrutural das formas e tensões espaciais. O espaço geográfico é o
processamento de diversas práticas espaciais, práticas estas que têm as lutas
de classes e o trabalho como motores da geohistória (MOREIRA, 2007a). seletividade,
localização e distribuição (formação de lugares), tecnificação, unidade do
espaço, diversidade no/do espaço, as tensões espaciais, a coabitação, a
hegemonia, o recortamento de territórios e lugares, a regulação e
reprodutibilidade, as mobilidades, a compressão, a urbanização, a
fluidificação, o hibridismo e a sociodensificação. Tendo as lutas de classes e
o trabalho como motores geohistóricos, o espaço comporta e exprime as
contradições sociais, por meio de macroestruturas (espaços), constelação de
territórios (HAERBAERT, 2014), redes e lugares (MOREIRA, 2012a), em múltiplas
escalas (LACOSTE, 1988). Há o espaço do capital (HARVEY, 2001; HARVEY, 2004),
instituído permanentemente pelas diversas práticas hegemônicas da classe
dominante burguesa, na era do capitalismo, em movimentos de espacialização
(MOREIRA, 2012b). E há os espaços de esperança (HARVEY, 2004), pois as
transformações sociais vêm também de reformulações interiores no mundo em que
vivemos, mudanças a partir de práticas pessoais ou coletivas das pessoas por
dentro da ordem espacial do capital. Os espaços de esperança são constituídos,
brevemente ou em médias e longas durações, em redes (confederação de lugares,
SANTOS, 2001) ou não, pelos chamados movimentos socioespaciais de contraespaço:
“(...) é o modo espacial por meio do qual excluídos e dominados põem em questão
a ordem espacial instituída (...) um movimento de confronto, de resistência, de
mimetismo ou de simples questionamento da ordem espacial existente” (MOREIRA,
2007b, p.103).
A escola pública é
um lugar, ao mesmo tempo uma rede, que comporta tensões e lutas sociais
múltiplas, em perspectivas hegemônicas e contra-hegemônicas, portanto comporta
tanto ordenamentos do espaço do capital, quanto construções de espaços de
esperança em movimentos de contraespaço. Temos a escola e a rede pública de ensino
constituintes do espaço do capital: duais, reprodutoras de desigualdades
sociais, opressora para estudantes e profissionais da educação. Temos a escola,
podendo ou não constituir redes, como espaço de esperança: como lócus de
práticas educativas contra-hegemônicas e emancipatórias; quando se ligam, seus
profissionais, direta ou indiretamente, aos processos de lutas dos
profissionais da educação por meio dos seus sindicatos. As resistências nas
escolas constituem-se num infinito mapa de práticas educativas localizadas e
emancipadoras, a partir de práticas batalhadas pelos profissionais da educação
nos cotidianos das escolas públicas (SUSSEKIND e REIS, 2015; LINHARES, 2007).
Já os sindicatos
também podem ser interpretados como espaços de esperança, pois constituem-se em
lugares (localizam-se no espaço, constituem-se “fisicamente”), conformam redes
temporárias ou permanentes de sujeitos sociais, comportam projetos de
transformação da realidade (ROSS, 2010; HARVEY, 2004). Podem ser espaços de
construção coletiva de processos educativos contra-hegemônicos. E espaços de
pensamento e produção de projetos alternativos de educação e de escolas. Sendo
produtores de processos educativos e de projetos de transformação a educação e
das escolas, os sindicatos, de profissionais da educação que estamos focando,
são espaços de educação popular e espaços não-formais de produção de
conhecimento acadêmico-científico. Escolas e sindicatos constituem-se em
lugares de memória (CIAVATTA, 2005): “A memória se enraíza no concreto, no
espaço, no gesto, na imagem, no objeto. A história se prende às continuidades
temporais, à evolução e às relações entre as pessoas” (NORA, 1984).
A construção de
espaços de esperança a partir de escolas públicas e dos sindicatos de
profissionais da educação tem ligação direta, destacamos, com as práticas
espaciais da tensão, da hegemonia, da coabitação e do recortamento de
territórios e lugares (MOREIRA, 2012a). O tensionamento da produção do espaço
geográfico tem a ver, nas sociedades contemporâneas, com a luta de classes na
ordem capitalista, que se manifestam numa série de contradições: centralidade x
alteridade, unidade x diversidade, homogenia x heterogenia. A construção, pela
classe dominante, da hegemonia, e a impossibilidade de se suprimir, por outro
lado, a coabitação, são os encaminhamentos das tensões espaciais. A classe
dominante no capitalismo, a burguesia, constrói a hegemonia: “(...) uma relação
de hegemonia é estabelecida quando um conjunto de crenças e valores se enraíza
no senso comum, naquela concepção de mundo que Gramsci definiu como ‘bizarra e
heteróclita’ (...)” (COUTINHO, 2010, p.30). Há, assim, as relações de
hegemonia, partindo da classe dominante, por meio dos seus diversos aparelhos e
que se afirmam por meio de luta contra as classes populares (GRAMSCI, 2006). É
o que faz as redes educacionais públicas e as escolas introjetarem e
reproduzirem as crises de que já falamos, por exemplo, mas que no caos
aparente, são “outros lados” de projetos educacionais coerentes com os
interesses de classe da burguesia, uma “espécie maior” de dualidade estrutural
(SAVIANI, 2008). E há, pelos lados das classes subalternas, as lutas
contra-hegemônicas pois, segundo Ornelas (2008), os processos das lutas de
classes conformam “guerras de posições” que, quando sistematizadas pelos
sujeitos subalternos, podem formar uma visão de mundo que concorra contra a
hegemonia da classe dominante, inclusive podem formar espaços de emancipação
(PORTO-GONÇALVES, 2008; CECEÑA, 2005). A escola pública e todo o sistema educacional
é parte deste processo, em perspectivas tanto hegemônicas quanto
contra-hegemônicas, com dois processos, por exemplo, que já citamos: práticas
educativas emancipadoras e as lutas do sindicalismo dos profissionais da
educação pública.
Partindo-se destas
digressões teóricas, inconclusas, diga-se de passagem, este trabalho pretende
apresentar primeiros levantamentos de espaços de esperança, de que tanto
falamos, em diversas escalas e a partir de momentos geohistóricos diferentes de
movimentos de contraespaço. Metodologicamente, pretendemos recorrer a dois
exercícios: 1) A construção de uma cartografia social, crítica, querendo
revelar aspectos dos espaços de esperança e movimentos de contraespaço; 2) A
reconstrução geohistórica dos processos socioespaciais e instituições, a partir
de pesquisa documental, de trabalhos já realizados e de (re)construção de
lugares de memória. Dos dois exercícios metodológicos mencionados, nos limites
deste trabalho pudemos avançar, e mesmo assim de maneira preliminar, apenas no segundo.
Por fim, focalizamos, principalmente, em três escalas combinadas de pesquisa
geográfico-educacional: 1) Escolas publicas da cidade de Niterói, estado do Rio
de Janeiro; 2) O Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação do Rio de
Janeiro, o SEPE-RJ; 3) O Núcleo de Niterói do SEPE-RJ, o SEPE-Niterói.
Levantamentos de
espaços de esperança (1): Práticas pedagógicas contra-hegemônicas em escolas
públicas.
Conforme
organiza para nós Maria Luiza Sussekind e Graça Franco da Silva Reis:
“Professorxs são
aqueles que constroem pontes (AOKI. 2005a). São o cotidiano escolar, em sua
dimensão vivida, praticada, conversada, experenciada e narrada. As pontes, como
as ‘construções cotidianas feitas pelos professorxs quando se perguntam: o que
devo ensinar amanhã? Como faço isso’ (idem, p.161) negociam, inventam,
deslocam, re-arrumam e ressignificam
cotidianamente o ‘duelo’ (idem) entre aquilo que os professorxs sabem sobre o
‘o que e como ensinar’ (idem) e ‘os currículos-como-planos do ministério
concebidos como uma ficção de mesmidade para toda província, e ainda, de que
essa ficção é possível apenas arrancando fora a singularidade’ (idem). Mais do
que ligar as margens, ao pensar os currículos-como-experiências-vividas, Aoki sugere
que essas pontes narram histórias vividas, transpõem obstáculos (2005a, p.160).
Pensando nelas, ao menos um obstáculo – o que é o modo como a construção
dicotômica que separa as ideias de teoria-prática habita confortavelmente os
currículos e seus sentidos – pode começar a ser transposto, embichado” (SUSSEKIND e REIS, 2019,
p.215).
Quando práticas pedagógicas
contra-hegemônicas são dinamizadas coletivamente nas escolas, ganham ainda
maior potencial. Na leitura e/ou observação de dois trabalhos que registram
práticas pedagógicas contra-hegemônicas, podemos verificar tais
potencialidades: 1) A construção da Sala Griot, no Instituto de Educação
Professor Ismael Coutinho (IEPIC), em Niterói; 2) As experiências de estágio
supervisionado coletivo, relacionando estudantes de licenciatura em Geografia
da Universidade Federal Fluminense (UFF), profissionais da educação escolar
pública e estudantes durante o movimento de ocupação estudantil do IEPIC, em
2016, registradas e analisadas por Larissa Lima de Souza (SOUZA, 2018).
Levantamentos de
espaços de esperança (2): Práticas pedagógicas emancipatórias nas ocupações
estudantis de escolas.
No trabalho “O Programa de Educação
Integral do Estado do Rio de Janeiro (PROEIRJ), a greve dos educadores e as
ocupações estudantis de escolas públicas”, Oliveira (2017) sistematiza uma
série de produções contra-hegemônicas potentes que emergiram do movimento de
ocupações estudantis de escolas públicas no estado do Rio de Janeiro, em 2016.
Oliveira (2017) revela dois campos de reinvenções produzidos pelos estudantes
nas ocupações: 1) Reinvenções curriculares e de práticas pedagógicas; 2)
Reinvenções da escola pública e da educação integral. Para efeitos deste
presente trabalho, focamos no campo das reinvenções curriculares e de práticas
pedagógicas, Oliveira (2017) faz o inventário de dezenove experiências: 1-
Integrações didático-curriculares (aulões ou projetos); 2- Oficinas de produção
de vídeos; 3- Palestras temáticas; 4- Rodas de conversa; 5- Aulas tematizadas;
6- Cinedebates; 7- Aulas de união teoria-prática (ou oficinas); 8- Debates; 9-
Rodas de leitura; 10- Atividades abertas; 12- Bate-papos; 13- “Aulas
tradicionais”; 14- Monitorias; 15- Aulas abertas com a comunidade escolar; 16-
Turmas por reagrupamentos; 17- Trajetórias formativas individuais e autônomas;
18- Ocupação cultural; 19- Tarde cultural.
Levantamentos de
espaços de esperança (3): O SEPE-RJ e o SEPE-Niterói ampliando os sujeitos
profissionais da educação e unificando as escalas de lutas da categoria.
O Sindicato Estadual dos
Profissionais da Educação do Rio de Janeiro é um sindicato unificado. Esta
unificação se concretiza em duas dimensões: 1) A ampliação dos quadros da
categoria para além somente dos professores, incluindo o setor chamado de
funcionários da educação, e outros setores, a partir do critério de que
trabalhando na escola pública os trabalhadores são educadores; 2) A unificação
espacial num único sindicato de todas as redes públicas de educação básica
municipais, além da Rede Estadual de ensino do Rio de Janeiro.
O SEPE-RJ foi um dos sindicatos
pioneiros em avançar para a unificação, em seu quadro social, de todos os
trabalhadores da educação (SANTOS, s/d; ANDRADE, 1999). Este processo
geohistórico, entretanto, não tem se dado sem contradições. Entre os chamados
“funcionários da educação”, a falta de identidade é uma marca histórica
problemática até hoje: os funcionários têm dificuldades em se reconhecerem como
sujeitos importantes e participantes em todo o processo educativo de crianças,
jovens e adultos. A realidade social e profissional deste setor da categoria é
muito dura: uma massa de funcionários, a maioria sem qualificação profissional,
baixa escolaridade, desigualdades de formação, muitos selecionados para
trabalhar por critérios os mais diversos, baixos salários, e até mesmo
pulverização de nomenclaturas. Mesmo enfrentando estas dificuldades estruturais,
tanto o SEPE-RJ quanto o SEPE-Niterói envidam esforços históricos para a
sindicalização de todos os trabalhadores da educação, combatendo uma concepção
redutora de educação e, pelo seu avesso, defendendo um conceito ampliado de
educar. A concepção redutora de educação é aquela que reduz a educação ao ato
exclusivo dos professores e que separa teoria e prática. Nesta concepção os
funcionários são excluídos dos sentidos da escola. Já uma concepção ampliada de
educação é aquela que entende que educar é uma complexa ação coletiva de vários
segmentos, que ultrapassa as salas de aula, inclui os funcionários da educação,
exige planejamento coletivo para a definição dos papeis e para os diálogos
entre os atores educacionais.
A partir de investigação nossa,
percebemos que o SEPE-Niterói vem dinamizando, recentemente, grandes esforços
no sentido de realmente unificar os trabalhadores da educação, em especial
aqueles da Rede Municipal de Niterói. Nos anos de 2017 e 2018, o sindicato
realizou uma sequência de plenárias específicas, visando avançar na
incorporação dos vários trabalhadores da educação. Ocorreram plenárias: de
Pedagogos, Orientadores e Supervisores Educacionais; de diversos segmentos de
Funcionários, a saber, Auxiliares de Portaria, Agentes de Coordenação de Turno
(nomenclatura específica de Niterói para os Inspetores de Alunos), Agentes
Administrativos, Auxiliares de Serviços Gerais (os serventes), Cozinheiras
Escolares, Motoristas e Oficiais de Obras e Manutenção; Profissionais chamados
“de Apoio Especializado” (formação de nível médio) e “Técnico-Científico”
(formação de nível superior), a saber, Agentes de Educação Bilíngue, Técnicos
de Informática, Agentes de Educação e Inclusão Digital, Intérpretes de Libras,
Bibliotecários, Nutricionistas, Fonoaudiólogos, Contadores, Arquitetos,
Engenheiros Civis, Assistentes Sociais, Psicólogos, Jornalistas, Advogados,
Administradores.
Por sua vez, a questão da unificação
espacial de todas as redes públicas de educação básica municipais, além da Rede
Estadual de ensino do Rio de Janeiro é um dado que adiciona extrema
complexidade e potencialidade ao sujeito coletivo SEPE-RJ como um espaço de
esperança. Conforme publicação do sindicato (SEPERJ), o SEPE-RJ está
espacializado, de maneira diferencial, em 35 núcleos sindicais, que abarcam 42
municípios do estado do Rio (alguns núcleos do SEPE são intermunicipais): Angra
dos Reis, Barra do Piraí, Barra Mansa, Belford Roxo, Lagos (Cabo Frio, Armação
dos Búzios e Arraial do Cabo), Cachoeiras de Macacu, Campos dos Goytacazes,
Conceição de Macabu, Costa do Sol (São Pedro D’Aldeia e Iguaba Grande), Costa
Litorânea (Araruama e Saquarema), Duque de Caxias, Itaboraí, Itaguaí, Itaocara,
Itaperuna, Itatiaia, Japeri, Laje do Muriaé, Macaé, Magé / Guapimirim,
Mangaratiba, Maricá, Mendes / Engenheiro Paulo de Frontin, Mesquita, Miguel
Pereira, Nilópolis, Niterói, Nova Friburgo, Nova Iguaçu, Paraíba do Sul,
Petrópolis, Pinheiral, Porciúncula, Porto Real / Quatis e Queimados. Além
disso, o sindicato abarca a capital, a cidade do Rio de Janeiro,
estruturando-se em nove regionais. Assim, não é menor a complexidade
geográfico-institucional e educacional do SEPE-RJ, merecendo aprofundamos de
estudos, o que pretendemos em outros trabalhos no futuro.
Levantamentos de
espaços de esperança: SEPE-RJ e SEPE-Niterói e suas experiências como espaços
de produção de conhecimento, formação político-pedagógica e de projetos
alternativos de educação.
Também no trabalho “O Programa de
Educação Integral do Estado do Rio de Janeiro (PROEIRJ), a greve dos educadores
e as ocupações estudantis de escolas públicas”, Oliveira (2017) sistematiza
alguns exemplos da potencialidade do SEPE-RJ como espaço de produção de
conhecimento, formação político-pedagógica e de projetos alternativos de
educação. Na greve de 147 dias dos profissionais da educação da Rede Estadual
de ensino do Rio de Janeiro em 2016, podemos visualizar, em especial, os
projetos alternativos de educação e escola que vivem em potencialidade nas
lutas da categoria. As reivindicações que moveram os profissionais da educação
o naquela oportunidade de luta social comportavam, segundo Oliveira (2017),
sentidos de: 1) Reinvenção da escola e da educação; 2) Reestruturação material
e humana da escola pública estadual; 3) Defesa de direitos trabalhistas. A
reinvenção da escola e da educação é revelada em pautas eminentemente
pedagógicas. Por melhoria nas condições do trabalho pedagógico: cumprimento da
reserva de um terço da carga horária docente para realização de atividades
extraclasse, redução do número de alunos em cada sala de aula, carga horária
concentrada em uma única escola (“uma matrícula, uma escola”). Que falavam
sobre a importância da autonomia da escola na produção das suas geohistórias:
Fim da política de meritocracia e sua imposição de avaliações externas sem
amplo e prévio debate com as comunidades escolares, fim do SAERJ, fim da GIDE,
fim do pagamento de bônus por metas de produtividade, fim do Plano de Metas da
SEEDUC. Pela gestão democrática da escola pública: Eleições diretas para as
direções das escolas. Por novos currículos, novas práticas pedagógicas, novas
escolas: Não fechamento das escolas do campo, contra a política de “nucleação”,
defesa da Pedagogia da Alternância, apoio ao desenvolvimento das práticas
agroecológicas, respeito nos currículos e práticas pedagógicas aos costumes,
valores, tradições e cultura camponesas, criação do cargo de Professor Indígena
I e Professor Indígena II no plano de carreira do magistério da SEEDUC, criação
do Conselho Estadual Indígena na Educação, reformas nas escolas indígenas,
prorrogação dos contratos temporários de professores indígenas, projeto
específico de formação para professores indígenas, nova regulamentação do
Programa de Educação Integral do Estado do Rio de Janeiro. A reestruturação
material e humana da escola pública estadual é revelada em pautas como:
Realização de concurso pública para funcionários técnico-administrativos;
melhorias e reformas nas condições infraestruturais das escolas estaduais de
toda a Rede; porteiros e inspetores em todas as escolas estaduais. Já a defesa
de direitos trabalhistas: Reajuste salarial; fim do parcelamento de salários;
pagamento integral do décimo terceiro salário de 2015; contra o reajuste do
percentual descontado para a Previdência Estadual e contra os Pacotes de
Reforma do Regime Previdenciário Estadual e de Ajuste Fiscal; retorno do
calendário anterior de pagamentos dos salários (segundo dia útil de cada mês);
criação do plano de cargos e salários dos funcionários técnico-administrativos
da Educação Estadual; redução da carga horária de 40 para 30 horas semanais
para funcionários técnico-administrativos; descentralização da Perícia Médica e
fim da terceirização; abono funcional das greves anteriores; resolução assegurando
a concessão das licenças especiais para todos os servidores.
Oliveira (2017) também revela que, em meio
à greve de 2016, já mencionada, o SEPE-RJ foi capaz de comportar a elaboração
de um projeto alternativo dos profissionais da educação para o então Programa
de Educação Integral imposto pelo Governo. Este projeto alternativo se
concretizou num documento sintético, porém extremamente completo, na forma de
um “Projeto de Lei Complementar”. Destacamos as potencialidades contidas no
artigo segundo do documento. O mesmo conceitua e estabelece: a superação de uma
estrutura dualista de educação, as dimensões formativas no sentido da
omnilateralidade, a pluralidade de ideias pedagógicas, plena autonomia do
trabalho dos profissionais da educação, perspectiva de construção do
conhecimento, a autodireção e auto- organização dos estudantes, o trabalho como
princípio educativo, a relação escola-comunidade ou ligação escola-vida, a
gestão democrática e autogestão das escolas, e o caráter público da educação
(constrangendo-se a perspectiva de parcerias público-privadas). Vejamos: 1.
Superação do dualismo estrutural da educação e dimensões formativas em
omnilateralidade: “(...) desenvolver, estruturar e executar a Política
Educacional de Ensino Médio Integral, garantindo o acesso dos estudantes a
formação geral, científica, tecnológica, cultural e conhecimentos
técnico-profissionais (...)” (p.1); 2. Pluralidade de ideias pedagógicas, plena
autonomia do trabalho dos profissionais da educação e perspectiva de construção
do conhecimento:
“(...) promover,
sistematizar e difundir inovações pedagógicas e metodológicas instituídas pelos
profissionais da educação do Programa no processo de construção do
conhecimento, na definição e organização curricular e nos processos de avaliação
da aprendizagem” (p.1).
3. Autodireção e auto-organização dos
estudantes: “(...) fomentar o diálogo entre a escola e os sujeitos adolescentes
e jovens, contribuindo para o desenvolvimento da autonomia e da formação cidadã
diante dos desafios postos na contemporaneidade” (p.1). 4. Trabalho como
princípio educativo e relação escola-comunidade ou ligação escola-vida: “(...)
articular e pautar as intencionalidades do percurso formativo de cada unidade
do Programa com a realidade local, tendo a pesquisa como princípio pedagógico e
o trabalho como princípio educativo” (p.1). Relação escola-comunidade ou
ligação escola-vida, gestão democrática e autogestão das escolas de educação
integral: “(...) estimular a participação coletiva da comunidade escolar na gestão
administrativa, pedagógica e financeira das unidades, bem como na formulação e
acompanhamento do Projeto Político-Pedagógico” (p.1). 6. Caráter público da
educação integral, questionamento à perspectiva das parcerias público-privadas
e mais empoderamento das comunidades escolares quanto a gestão democrática e
autogestão das escolas:
“(...) viabilizar
parcerias com instituições de ensino, pesquisa, difusão cultural e formação
profissional públicas, nacionais ou estrangeiras, que visem a colaborar com a
expansão do Programa de Educação Integral no âmbito estadual; Parágrafo único –
As parcerias previstas nesta lei ficam subordinadas a análise criteriosa de
pertinência, definição clara das participações, avaliações periódicas da
comunidade escolar e publicidade dos termos dos acordos” (p.1).
Outra forma do SEPE-RJ se construir como
espaço de produção de conhecimento e de projetos alternativos de educação é
quando este sujeito coletivo se desdobra como um coordenador de redes de
colaboração com as universidades públicas, como promotor de reflexões próprias
sobre concepção de educação e escola e como produtor de publicações
científico-acadêmicas. Em sua tese de doutorado, Kênia Miranda (2011) produz um
panorama destes intentos históricos do SEPE-RJ, que sumariamos aqui. Em 1992, o
I Congresso de Educação e Unificação, organizado pelo SEPE-RJ, elaborou de
maneira mais ou menos sistemática um projeto de educação e escola, sintetizado
no relatório “Nossa concepção de escola”, onde o sindicato reivindicava para a
educação um projeto alternativo:
“(...) que rompa
com a lógica de educar para ser mão-de-obra, seja ela barata ou cara; que
contribua para a construção de uma sociedade igualitária e democrática de fato,
rompendo com a alienação imposta; que assegure a formação crítica do sujeito
histórico, do homem e da mulher conscientes de seu papel na transformação do
mundo, livres de preconceitos de raça, credo e sexo. Que ajude na construção do
novo homem e da nova mulher, que valorize a sua cultura, procurando
compreendê-la e superá-la; que respeite os limites alheios, não deixando, no
entanto, de questionar valores contrários à transformação. Uma escola que forme
cidadãos capazes de compreender as bases científicas que regem a natureza e a
sociedade. Para tal, a escola deverá ser unitária” (SEPERJ, 1992, p.13).
Em seguida, o relatório mencionado
discute que o método da nova escola deverá: “adotar o trabalho como princípio
educativo, livre da exploração e da alienação impostas pela sociedade de classes,
buscando romper com a dicotomia entre trabalho manual e trabalho intelectual,
teoria e prática, formação geral e formação profissional” (SEPERJ, 1992, p.14).
Outras construções do SEPE-RJ nos sentidos aqui apontados foram cinco
realizações interligadas: 1) A organização do curso de pós-graduação latu sensu
“Educação Brasileira e Movimentos Sociais”, parceria do SEPE-RJ com a Faculdade
de Educação da UFF, que funcionou entre 1993 e 2002 e que exigia dos estudantes
serem militantes das escolas públicas ou dos diferentes espaços do sindicato;
2) A produção dos quatro Cadernos do SEPE
Série Acadêmica, publicados entre 1998 e 2002, a partir da reunião dos
estudos monográficos realizados no curso de pós-graduação já mencionado; 3) A
mobilização do grupo de pesquisa interinstitucional CESTEH/ENSP – Universidade
do Estado do Rio de Janeiro – SEPE-RJ sobre saúde e trabalho na escola que,
além da pesquisa científica sobre as condições de trabalho e saúde dos
profissionais da educação pública, buscou promover a formação de sindicalistas
e representantes de escolas como “multiplicadores” de ações teórico-práticas e
militantes em saúde, trabalho e educação (BRITO, 2001); 4) a produção das
Revistas do SEPE, revistas impressas com a pretensão de dinamizar análises, críticas
e difusão de conhecimento em educação e sobre as lutas dos trabalhadores, em
perspectivas críticas; 5) a produção dos livros “Os Sentidos da Escola”. A
intenção do sindicato se expressava da seguinte forma: “(...) ações, que em seu
conjunto representam a tarefa de construir o SEPE com base na independência
política dos trabalhadores da educação, desenvolvendo, por meio de sua
formação, valores antagônicos ao da ideologia dominante” (SEPERJ, 1999, p.1).
Por fim, nesta etapa, na escala do
SEPE-Niterói, também é verificado movimentos de construção de projetos
alternativos de educação. A partir de investigação preliminar nos arquivos do
SEPE-Niterói, localizamos o seguinte evento e sua produção respectiva. Em 15 de maio de 2013, o SEPE-Niterói
organizou o Seminário de Formação da Rede Municipal (de Niterói) "A
educação que queremos: educação Integral, educação infantil e valorização dos
Profissionais da Educação em debate". O seminário contou com abono de
ponto geral, concedido pela FME. A programação contava com as seguintes
atividades: mesa de abertura "A conjuntura e as políticas educacionais -
para onde vai a educação?", a mesa de formação 01 "Educação integral
e educação infantil: a escola que... Lutamos para construir!" (que contou
com a participação das educadoras Lucia Velloso, Carla Andréa Lima, Regina
Leite Garcia e Susana Sá Gutierrez) e a mesa de formação 02 "Saúde do/a
trabalhador/a da educação, luta por valorização e pelo PCCS e a organização da
categoria". O seminário culminou com Assembleia Geral da Rede, importante
registrar. Uma das culminâncias deste seminário foi o documento
"Pressupostos para um Projeto de Educação Integral da Rede Municipal de
Niterói", sistematizado pelo SEPE-Niterói e remetido ao Governo de Niterói
(na época, à Secretaria Municipal de Educação, professor Waldeck Carneiro) por
Ofício do SEPE-Niterói (SEPE-NITERÓI) em 21 de maio de 2013. Transcrevemos na
íntegra:
“O
SEPE-Niterói vem, por meio deste, tornar conhecido os 'Pressupostos para um
Projeto de Educação Integral da Rede Municipal de Niterói'. Tal documento é
fruto dos debates realizados pela categoria no Seminário recém-promovido pelo
SEPE-Niterói e foi aprovado em Assembleia Geral da Rede Municipal, se tornando
política e pauta de reivindicações da categoria. Os Pressupostos. 1. Da
diferenciação entre "Educação Integral" e "Educação em tempo
integral" - Os vários Governos, inclusive o de Niterói atual, têm discutido
projetos de "educação em tempo integral", misturando, propositalmente
ou não, conceitos que são diferentes. Uma "coisa" é educação
integral, outra é o "tempo integral". Por isso, diferenciamos, para
que fique claro: defendemos uma concepção de educação integral, que
significa a educação para formação de um ser humano integral. Esta
concepção tanto pode ser desenvolvida em jornadas de tempo integral
(normalmente manhã-tarde), quanto em "tempos parciais". É verdade que
defendemos prioritariamente a permanência do/a estudante em tempo integral na
educação. Porém, a diferença entre "educação integral" e
"educação em tempo integral" há que ser registrada. E o que defendemos como projeto pedagógico é,
portanto, a Educação Integral, em regime preferencial de tempo integral nas
unidades escolares! 2. Da concepção de "Educação Integral" -
Repetindo: defendemos uma concepção de educação integral, que significa
a educação para formação de um ser humano integral. Ou seja, as
condições necessárias para uma educação que forme a consciência crítica; que
proporcione formação politécnica voltada para o trabalho; que
"alfabetize" de maneira multilateral; que combata as opressões
(racismo, machismo, homofobia, intolerância religiosa, etc.); que proporcione
uma relação ética e estética saudável do indivíduo com seu próprio corpo e com
a sociedade; que incentive o engajamento individual e coletivo numa perspectiva
de mudança do mundo que nos cerca. 3. Para toda a rede, respeitando a autonomia
- Que a Educação Integral seja o projeto e a ideologia para toda a rede, mas
que a adesão (ou não) de cada unidade educacional seja feita respeitando sua
autonomia, suas especificidades locais; que se garanta o contraditório com
democracia, sem retaliações de qualquer tipo para unidades que optarem por
manter sua estrutura "tradicional"; que não se trabalhe com a lógica
de "projetos experimentais" e/ou "ilhas de excelência”. 4.
Valorização do/a profissional da educação e Não à precarização do trabalho - É
impossível discutir qualquer projeto de Educação Integral sem garantir uma
efetiva valorização dos/das profissionais da educação da rede municipal; a
Educação Integral tem que ser garantida com 100% de profissionais concursados e
valorizados; é recomendável as melhorias, já tão discutidas e conhecidas, no
atual PCCS da rede; é mais que necessário, para se garantir qualquer projeto, o
básico: melhores salários, concurso público e Plano de Carreira; e não podemos
sequer projetar uma Educação Integral que se baseie em regimes precários de trabalho,
como duplas jornadas, RET's, contratos, estágios, "Amigos da Escola",
oficineiros, dentre outros. 5. Sobre as cargas horárias - É necessário que,
para aplicação da Educação Integral em toda a rede, se promova uma progressiva
elevação da carga horária dos/as profissionais da educação, especialmente do
grupo do magistério, por duas vias: (a) valorização salarial, para que o/a profissional possa se dedicar de
maneira preferencialmente exclusiva à rede; (b) elevação da carga
horária para 30 ou 40 horas, com regime preferencial de dedicação exclusiva
(com valorização compatível a tal regime), metade, ou mais, da carga horária
para atividades extra-classe e ano sabático; o pressuposto (b) só é aplicável com o pressuposto (a) garantido, e com o
pressuposto (b) a ser aplicado de maneira completa; e deve-se
garantir a opcionalidade de elevação de carga horária aos profissionais que já
estão na rede (ou seja, a elevação de carga não é obrigatória aos que estão na
rede). 6. Currículo integrado - Para uma Educação Integral, há que se negar a
lógica do turno x contraturno; ou um turno para "ensino tradicional"
e outro para "outras atividades"; reivindicamos um currículo
integrado, que ocupe os turnos com uma "mistura" autônoma de ensino
propedêutico, experimental, politécnico, esportivo, cultural, etc. É a lógica
do conhecido "Currículo Integrado". 7. Gestão democrática e
planejamento integrado e coletivo - Só é possível uma Educação Integral numa
educação alicerçada na gestão democrática da unidade escolar, com eleições
diretas para direções das unidades, Conselho Escola-Comunidade no mínimo
paritário, Assembleias Gerais periódicas, dentre outras medidas; e que o
cotidiano da unidade escolar seja tocado por intenso e coletivo Planejamento
Pedagógico, que valorize os encontros, que integre todos os/as profissionais da
educação (todos os setores: magistério, apoio pedagógico, técnico-científico,
administrativo, apoio geral). 8. Somos todos/as profissionais da educação - Há
que se combater a lógica discriminatória que opõe o setor do magistério ao
chamado "setor dos funcionários"; todos/as os/as profissionais que
trabalham em uma unidade educacional são profissionais da educação, cumprem
funções pedagógicas com importância, devem ser integrados ao Planejamento
Pedagógico e à gestão democrática, e devem ser valorizados/as e reconhecidos/as
pela importância de seu trabalho. 9. Bibliotecas - O projeto pedagógico de
Educação Integral precisa contemplar a questão da formação de leitores/as, numa
perspectiva freireana, cuja tônica é "a leitura do mundo precede à leitura
da palavra"; defendemos políticas públicas voltadas para a leitura e
consideramos inaceitável que as escolas e UMEI's ainda não tenham Bibliotecas
Escolares integradas à comunidade; que sejam geridas por Coordenação colegiadas
de Bibliotecários/as e profissionais da educação, como professores/as, por
exemplo. 10. PRINCÍPIOS (e princípio é o que precede, não se abre mão, não se
discute) - A Educação Integral deve ser pública, garantida por verbas 100%
públicas, 100% gratuita, 100% laica, transparente, socialmente referenciada, e
deve estar a serviço dos/as trabalhadores/as; não pode se basear em qualquer
tipo de privatização: parcerias público-privado, ONG's, OS's, OSCIP's,
Fundações, etc. Sem mais, agradecemos desde já (SEPENITERÓI, 2013).
Não concluindo...
O presente trabalho, até aqui, levantou,
de maneira preliminar, quatro construções de espaços de esperança. Um trabalho
não concluído, e que por si só já revela grande complexidade. Além disso,
visualizamos dois desafios teórico-metodológicos a enfrentar: 1) Ainda no
exercício da reconstrução geohistórica dos processos socioespaciais e
instituições, a partir de pesquisa documental, de trabalhos já realizados e de
(re)construção de lugares de memória, a muito o que se avançar. O sindicato dos
profissionais da educação pública do Rio de Janeiro, assim como a maioria dos
movimentos sindicais e sociais, tem sua memória geohistórica extremamente
negligenciada, ignorada, não organizada, esquecida. Um desperdício epistêmico,
teórico, prático e geohistórico que precisa ser questionado e revertido; 2)
Permanece aberta a necessidade da construção de uma cartografia geográfico-social,
crítica, para melhor revelar aspectos dos espaços de esperança e movimentos de
contraespaço.
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